A Festa

Por Cláudio Rosa Cruz


    Comemorado por séculos em vários países, o ciclo junino é a mais importante manifestação cultural do nordeste do Brasil. Em Sergipe a festa ganha dimensão espetacular, envolve toda a população em ricas e variadas formas de expressão.
Registramos e colecionamos algumas destas pautadas a seguir:

    Os Santos – O ciclo junino tem origem ligada ao culto dos santos católicos do mês de junho. São eles: São João, Santo Antônio e São Pedro. São João é um dos santos mais importantes da religião católica. É o santo festeiro e seu dia (24) é o ápice da festa. Santo Antônio (13), o mais popular no Brasil, é o preferido pelas mulheres como santo casamenteiro e das causas perdidas. São Pedro (29) é guardião das portas do céu é também considerado o protetor das viúvas e dos pescadores. O seu dia marca o encerramento das comemorações juninas.

    Fogueira – É o símbolo universal do ciclo junino. Remete ao dia de nascimento de São João, o Batista, principal santo festejado neste ciclo. Conta-se que uma grande fogueira foi prometida e acesa para o lume anunciar aos distantes a sua chegada. As maiores consiste em troncos empilhados aos pares, cruzados no último terço. No vazio que se forma no centro, lenha menores são enfiadas até superar a boca. As menores, mais comuns, são feixes mais ou menos cilíndricos de galhos menores apertados por arames.

    Os Fogos – Como a fogueira, está também associado ao anúncio do nascimento de João, o Batista. Além dos fogos convencionais mundo a fora, em Sergipe destacam-se a Espada e o Buscapé, artefatos feitos com gomos de bambu, enrolados com barbantes para lhes conferir maior resistência lateral. Dentro da taboca é socada a marretadas uma mistura pisada de pólvora com limalhas de ferro entre grossas camadas de argila, que resultará numa câmara compacta. Na boca, é feito um minúsculo orifício e colocada uma pólvora de cor, facilmente inflamável, para levar ignição ao interior. Quando aceso, o artefato inicialmente apresenta esta cor (vermelho, prata, verde, amarelo ou azul) com fabulosa luminosidade. Em seguida a pólvora da câmara é inflamada, e ao sair pelo estreito orifício ganha forte propulsão revelada na grande projeção das limalhas incandescentes (cerca de 10m) e por um ruído ensurdecedor. As Espadas são geralmente consumidas à mão, diferente dos Buscapés que possuem forte bomba no final e são atirados tão logo venha seu arrojo e tomam rumo incerto até explodir. Os mais prudentes se valem de luvas, capacetes e vestes grossas para viver de perto esta emoção.

    Corrida de Barcos de Fogo – Manifestação única no Brasil, realizado por fogueteiros da cidade de Estância, sul do estado. Consiste em artefatos em forma de embarcação, muito bem adornados, equipados com espadas que fazem a propulsão com grande velocidade em trajetória definida por um fio de arame tencionado a 2m de altura com cerca de 150m de extensão. No percurso de vai-e-vem, cerca de 40s, fogos de artifícios são lançados em espetáculo de rara beleza.

    Música – Os três instrumentos fundamentais e suficientes para execução dos ritmos juninos, a sanfona, a zabumba e o triângulos, facilitaram a profusão sucessiva e secular de trios musicais. Esse “básico” é conhecido hoje como trio pé-de-serra, capaz de executar todos os ritmos para a dança, como xote – agalopado; xaxado – vibrante e o baião – romântico. Em Estância, há também a batucada, levada somente com instrumentos de percussão, cujo ritmo é o côco, e a batida acompanhada pelo sapateado agudo dos tamancos.

    Quadrilha – dança de salão de origem européia, ganhou aqui no Brasil a alegria transbordante que convém aos trópicos. Os salões palacianos europeus aqui tornaram-se arraiais, espaços abertos a toda a população. O movimento contido abriu-se aos ritmos expansivos e diversos. A indumentária formosa, quando em movimentos circulares impressionam as cores de forma espetacular.
Dançada para agradecer as boas colheitas na roça, a quadrilha é composta por um número par de casais em quantidade determinada pelo tamanho do espaço para se dançar. É comandada por um marcador, que orienta a todos com palavras afrancesadas e portuguesas. A língua francesa na marcação dos passos da quadrilha e a marca indelével da sua origem.

    Culinária – o circulo junino está secularmente associado aos votos da colheita. O milho é a própria anunciação. Alimento predominante na mesa da festa é servido e preparado de várias maneiras. Verde, as espigas cozidas na água ou assadas na brasa; na pamonha – bolinhos enrolados na palha ou Canjica - doce de consistência cremosa; entre outras iguarias.

 

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